Julio Paraty

Julio Paraty documenta a vida ingênua do caiçara. Julio César de Jesus Freire assina Julio Paraty e é o principal representante da arte naif de Paraty.

Sua obra retrata o dia a dia dos pescadores e seus hábitos. O laço de fita das mocinhas e as bandeiras coloridas de papel são detalhes deste modo de vida trazido com os portugueses dos Açores ainda no século 16, antigos costumes ainda mantidos. O único artista paratiense a ser catalogado por Walmir Ayala em seu Dicionário de Pintores Brasileiros começou a pintar em 1965, quando tinha 12 anos de idade. As cores o atraiam e as primeiras que conheceu foram as da maquiagem de sua mãe, que experimentava em pedaços de papelão de caixas de sapato.

José Kleber, famoso poeta paratiense, foi quem deu a ele as primeiras tintas e pincéis. Abel de Oliveira que, nos anos 60, além de um restaurante também abriu uma galeria de arte, apostou no garoto, permitindo que ele deixasse sua produção ali para vender.Na época, Paraty recebia pintores e artistas que procuravam inspiração e vida boêmia na cidade, como Portinari, Takaoka e muitos outros. Mas foi através do traço de Djanira que Julio se reconheceu. “Minha missão como artista foi se definindo, entrando em foco quando conheci o trabalho dela”, diz Julio.

Com 18 anos foi a São Paulo levando um Santo Antonio que Portinari havia rabiscado no guardanapo do Restaurante do Abel, quem mais uma vez lhe incentivou: “Vai e leva isso aqui para qualquer eventualidade.” Julio não queria estudar e com a venda do Portinari comprou material. Ficou produzindo por três meses, e pelas mãos de Vera Fontoura, antiga freqüentadora de Paraty, realizou sua primeira exposição em São Paulo, na antiga Galeria Chafariz, na Rua Gabriel Monteiro da Silva.

Depois de dois anos, realizou outra exposição patrocinada pela Mercedes Bens, no Restaurante Viela, na Rua Amaury. Mais tarde voltou para Paraty e abriu uma loja no centro histórico que só fechou depois de 15 anos. Ali ele lançou moda na cidade, trazendo todas as novidades das confecções. Sua mistura de cores e o trabalho minucioso de estampar a tela com miúdos riscos de tinta levaram seu trabalho para diversos países da Europa. Conheceu Paris e Madrid. “Pelas minhas contas já passei dos três mil quadros em guache sobre papel e acrílico sobre tela”, assume o pintor, que decidiu estabelecer seu ateliê em sua casa em Paraty. “Não gosto de rotina. Tem época que não faço nada, depois recupero o tempo trabalhando em 10 a 15 quadros simultaneamente”, declara Julio.

Exemplares de sua obra podem ser vistos nas paredes da Pousada do Sândi, do Z Café, ambos no centro histórico, e do Restaurante Eilahô, na Ilha do Catimbau. São vendidos a preços que variam entre R$ 350 e R$ 12 mil. Planos para o futuro são conhecer a Itália e se mudar para seu sítio na serra de Cunha.

 

Texto: Lia Capovilla / Fotos: Lia Capovilla e Mara Vieira