Banda El Latinazo latiniza Paraty

O Latinazo, única banda de música caribenha formada em Paraty, reúne cinco músicos estrangeiros radicados na cidade há alguns anos. Os uruguaios Federico Caravatti (violão, piano e voz), Jonathan Andreoli, (bateria e percussão) e Natalia Gularte, (percussão), o francês Jerome Charlemagne (sax tenor e sax soprano), e o espanhol Hugo Cadaval (contrabaixo).

Vindos por caminhos diferentes, ao se encontrar aqui decidiram encarar esta proposta que tem como objetivo principal a interpretação de clássicos do repertório afro-latino-caribenho trazendo ao público músicas de países como Cuba, Porto Rico, Panamá, Uruguai, entre outros.

Para o escritor colombiano Gabriel Garcia Marques – falecido ano passado no México, o Caribe “não é somente uma área geográfica, e sim uma área cultural muito homogênea”. Uma área cultural, segundo ele, que vai além do território da América Central, tanto ao norte quanto ao sul.

“Nessa encruzilhada do mundo”, definiu lindamente Garcia Marques, “se forjou um sentido de liberdade sem fim, uma realidade sem deus nem lei, onde cada um sentiu que era possível fazer o que queria sem limites de classe nenhuma…” 1. Essa influência da cultura e da música caribenha se espalha e penetra, desde o período do descobrimento do Continente, por meio das rotas comerciais marítimas em ambientes transnacionais e por todos os cantos do planeta.

Em entrevista ao Paraty.com, Jonathan e Jerome explicaram o motivo de trazer aos palcos a Salsa e a música caribenha. “Eu sou uruguaio”, disse Jonathan, “e o Uruguai tem uma relação muito forte com Cuba, uma forte identidade na vida cultural e no folclore, lá a gente as ouve muito no radio”, argumentou. “Quando nos encontramos em Paraty, três uruguaios, Federico, Natalia e eu, só podia dar nisso. Nos preocupamos em reproduzir nosso som primordial, o som da nossa gente e da nossa infância”, concluiu.

No repertório da Banda El Latinazo estão nomes importantes e representativos desse gênero, como Compay Segundo, Eliades Ochoa, Ruben Blades, Cheo Feliciano, que são apenas alguns dos grandes músicos que fizeram a história desses ritmos consagrados, inclusive no Brasil.

Na formação da música popular da América Latina, a Salsa é uma amálgama de estilos musicais, criada especialmente por cubanos e porto-riquenhos da cidade de nova York, no início da década de 1970. Um exemplo de que, literalmente, a Salsa ganhou reconhecimento transcontinental é caso do saxofonista de El Latinazo, Jerome, que aprendeu a tocar este ritmo na China: “Até os chineses são apaixonados pela salsa”, justifica. “Os cubanos estão espalhados pelo mundo. Eu aprendi a tocar salsa em Shangai com um grupo de cubanos radicados lá”, disse o músico.

Ao perguntar sobre a dificuldade de criar aqui um grande público, que aprecie e dance Salsa, eles argumentaram. “No Uruguai, há um movimento de intercâmbio cultural com Cuba e o som das ruas é o caribenho. As bandas de baile lá são chamadas de Sonoras e o Candombe é o primo irmão da Rumba”, comentou Jonathan. “Aqui é mais difícil. Nos primeiros dias que apresentamos na Casa da Cultura, o público estava tímido”, reconheceu Jerome, “mas, com alguma divulgação no facebook, no último show houve muita participação. Ficamos surpresos mesmo.” concluiu.

Preparando-se para explorar novos mercados, os integrantes do El Latinazo comentaram sobre as próximas apresentações da banda. “Estamos aprimorando a cada ensaio para nos lançarmos a um público cada vez maior e até sair de Paraty”, comentou Jerome. “Na última apresentação, um produtor de eventos nos ouviu e veio oferecer duas datas em Angra, dia 26 de setembro deste ano, num resort, e outra em agosto do ano que vem, num Festival de Música Latino Americana, o ENANGRA, e topamos”, disse Jonathan. “Existe um mercado para ser explorado e aos poucos vamos criar o nosso público” finalizou Jerome.

1 GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Notas de prensa (1961-1964). Barcelona: Mandadori, 1999.

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