Morro do Forte Defensor Perpétuo

Construído no Morro da Vila Velha ou Ponta da Defesa, o Forte Defensor Perpétuo é o mais remanescente do núcleo de povoamento de Paraty, iniciado nos idos de 1630 por João Pimenta de Carvalho, na época proprietário de terras em Angra dos Reis, região para onde afluíam inúmeros portugueses, principalmente oriundos do arquipélago dos Açores. O terreno elevado oferecia melhores condições de defesa, com casas de esteio cobertas de sapê. Ali ergueu uma capela dedicada a São Roque. Em 1646, Dona Maria Jácome de Melo, viúva de um dos companheiros de João Pimenta de Carvalho, fez a doação de sesmaria na planície da ponta da Defesa para a Construção de uma nova vila. Nesta planície foi erguida uma capela para Nossa Senhora dos remédios, a padroeira de Paraty.

A cidade teve seu surgimento no momento da expansão dos caminhos da capitania e, em 28 de fevereiro de 1667, o governador Geral do Rio de Janeiro, Martim Corrêa Vasquearas, reconheceu o povoado, através de Carta Régia. Com a descoberta das zonas auríferas, no século XVIII, Paraty torna-se importante entreposto comercial: o transporte de mercadorias e, principalmente do ouro, das minas até o Rio de Janeiro se dá por terra até Paraty, de lá, para o Rio, por mar. A partir daí vem o apogeu da cidade e a necessidade de maior fiscalização e controle. Em 1703 foi construída uma trincheira para a defesa da vila no local conhecido como Ponta da Defesa. Em 1793, no mesmo lugar, foi erguido um forte com bateria de barbeta.

Com o declínio econômico de Paraty, o Forte ficou em ruínas até 1822, quando o foi reconstruído e recebeu o nome atual em homenagem a D. Pedro I, o imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. Posteriormente, o sistema defensivo da baía de Paraty chegou a ter seis fortificações: Iticopê, Ponta Grossa, das Bexigas, Bateria da Vila, Ilha dos Mantimentos, Ilha dos Meros, além do Defensor. Em 1836 o Defensor Perpétuo passou por novas obras para melhor comodidade das milícias e depois do exército, sendo seu último comandante o Marechal José de Almeida Barreto.

Em 1957, já sem uso militar, foi transferido para o então Ministério da Educação e Cultura e tombado pelo IPHAN que, nos anos 60, restaurou o imóvel. Hoje, espaço cultural de destaque, a construção guarda as proporções e a leitura do casario do Bairro Histórico, com os cômodos ambientados como na época da função militar, com destaque para a casa do Comandante.

Ainda com o seu interior autêntico, o Forte preserva três áreas internas distintas: a casa do comandante; a ala do quartel da tropa, ao centro, com as enxovias; e o quartel dos inferiores, onde residiam os cabos e sargentos. Na área externa, preserva ainda a Casa da Pólvora e a praça de armas.

Integram o acervo do Forte peças autenticas confeccionadas na Grã-Bretanha, como os canhões do tipo (padrão) 12 Tiros, que ativaram uma bala de cerca de 6 Kg a 2000 metros de distância, usando 2 Kg de pólvora. Atualmente, o forte é um dos 30 museus administrados pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). É uma importante referência de informação, lazer e preservação da memória paratiense. Também fazem parte do acervo do Forte, que recebe anualmente cerca de 7000 visitantes brasileiros e estrangeiros, as tachas ou caldeirões para a produção de açúcar, de origem inglesa, e outras peças de fazendas da região de Paraty-Mirim, como um tronco de escravos e tambores de Jongo, todos do período colonial. A exposição “O Modo de Fazer” registra os processos de confecção artesanal da canoa, vela, remo, covo, tipiti, rabeca e miniaturas em Paraty.

O Museu recebe regularmente estudantes com visitas guiadas, agendadas previamente pelos professores, e tem calendário de exposições com temáticas variadas.

Forte Defensor Perpétuo

Morro do Forte, s/n – Paraty – RJ – CEP 23970-000

Visitação: De terça a domingo e feriados, das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas.

Consultar: 55 24 3373 – 1038

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