|
O Pesquisador paratiense organizou artigos do importante personagem da história da cidade.
Texto: Lia Capovila / Fotos: Lia Capovila e arquivo pessoal
O pesquisador Diuner Melo lançou, em maio de 2001, um livro que celebra os 70 anos de morte de Samuel Costa. Nascido em Paraty no final do século passado (18/11/1882), numa família de fazendeiros (antigos proprietários das terras onde hoje se localiza a Murycana), Dr. Samuel se formou advogado no Rio de Janeiro e se envolveu na política paratiense: derrotou a hegemonia oligárquica da época e implantou uma outra maneira de fazer política. Chegou a ser Deputado Provincial de Paraty, foi presidente da Câmara várias vezes, quando ainda não existia eleição para prefeito, e foi o primeiro prefeito eleito de Paraty.
 |
O antigo casarão que faz esquina com as ruas Dr. Pereira e Dr. Samuel Costa pertencia a ele. Escreveu poesias, crônicas e sátiras em jornais da cidade como O PHAROL e A RAZÃO, onde não poupava os adversários políticos. “Paraty no Anno da Independência” é a série mais importante de artigos que escreveu, segundo Diuner, pois retratou Paraty 100 anos antes. “Samuel realizava pesquisas em cartório, sempre muito à vontade, pois tinha acesso irrestrito a documentos importantes do município”, diz Diuner. “Os textos são riquíssimas fontes de consultas, pois contém detalhes sobre costumes e geografia da cidade no ano de 1822, ano da Independência do Brasil”, conclui.
No livro, além dos seis artigos intitulados “Paraty no Anno da Independência”, Diuner incluiu algumas anotações feitas pela filha de Samuel, Maria Luiza, alguns poemas inéditos, um texto que escreveu ainda como presidente da Câmara e reeditou sonetos dos anos 28,29 e 30, últimos de sua vida. Diuner reuniu também ilustrações do próprio Samuel, e uma fotografia assinada por ele. Sua passagem para a morte foi sofrida. Teve hanseníase, morreu lúcido, cego e tuberculoso em 24 de setembro de 1930, aos 47 anos. Diuner declara: “A importância de Samuel é que ele completa os estudos iniciados por Monsenhor Pizzarro, que descreve, em 1820, a história de Paraty nos séculos anteriores, desde a fundação.
Sabe-se muito pouco sobre a história de Paraty. Através de recortes de jornal, Diuner nos propõe conhecer trechos desta história. O pesquisador afirma que a história de Paraty está longe de ser completamente contada porque sempre houve muita dificuldade no acesso a documentos importantes, e um sem número deles se perderam com o tempo. Exemplares antigos de jornais, hoje, são considerados relíquias, pois apresentam riqueza de detalhes ao descrever costumes e fatos de épocas.
Os artigos sobre “Paraty no Anno da Independência” foram publicados em 1922 no jornal A RAZÃO. O jornal pertencia ao deputado Câmara Torres, na época, inspetor de ensino do Estado. Ele morava em Angra, e conseguiu reunir em seu acervo grande número de documentos sobre Paraty. Os exemplares originais deste, e de outros jornais de Paraty, hoje, se encontram em Niterói, em poder da família do deputado ( já morto). Para reunir todo o material, Diuner contou com a sorte de já tê-lo em cópia, que providenciou durante época em que teve acesso ao acervo de Dr. Mário Moura Brasil, outro colecionador de documentos. Diuner comenta que Câmara Torres se sentia guardião da história da cidade e sempre anunciava que quando Paraty tivesse condições de conservar seus documentos, os devolveria à população. Mas esse é um outro capítulo desta mesma história. História de Paraty.
Depois de se dedicar à seleção e organização dos textos de Samuel Costa, Diuner pensa agora em concluir outros projetos: o Manual do Festeiro ( do Divino de Paraty) e estudos sobre a Maçonaria na cidade. A coletânea “Paraty no Ano da Independência”, 95 páginas, é editado pela Litteris e tem tiragem de mil exemplares. Você pode adquir um exemplar deste livro também pela internet através do site da editora - www.litteris.com.br
|