Corpus Christi

por Gilberto Galvão*

foto: Eliane C.Uma das tradições mais singelas de Paraty é sua procissão de Corpus Christi, que passa pelas ruas do Centro Histórico sobre um tapete com ilustrações da Eucaristia, santos e outros temas, feito de serragem pintada e outros materiais, com a participação de famílias, escolas, comerciantes e artistas da cidade.

A Festa de Corpus Christi celebra a Eucaristia, que evoca o compartilhamento do pão e do vinho, na Última Ceia, símbolo do sacrifício de Jesus pela redenção dos homens.

A Festa de Corpus Christi foi instituída em 1264, no papado de Urbano IV (r.1261-1264) e promulgada em 1317, no papado de João XXII (r.1316-1334).

A procissão, que se tornou a parte principal da celebração, foi introduzida no século XV, durante os papados de Martinho V (r.1417-1431) e Eugênio IV (r.1421-1447). Em Portugal, a procissão de Corpus Christi foi introduzida por D.João I (r.1385-1443).

As corporações de ofícios eram obrigadas a acompanhar a procissão, em grupos de danças, de canto ou encarnando personagens bíblicas. Com a solenização desse cortejo, a Igreja e a monarquia formavam uma aliança para conquistar o respaldo institucional da população.

A partir do reinado de D.ManueI I (r.1495-1521) e D.João III (r.1521-1557), a procissão de Corpus Christi aconteceu em todo o império português, incluindo o Brasil, organizada pelas Câmaras municipais com a pompa de uma festa da realeza.
No Brasil, foi introduzida em 1549, no reinado de D.João III (r.1521-1557), com a fundação de Salvador, a primeira capital da Colônia. E quem registrou o fato foi o jesuíta Manuel da Nóbrega, futuro companheiro de missão do padre José de Anchieta.

No Brasil, a procissão de Corpus Christi também tinha a dupla função de demonstração de fé e representação do poder da monarquia, envolvendo as cidades, as instituições e os cidadãos num rigoroso cerimonial.

As casas por onde o cortejo passava tinham que ser caiadas e ornamentadas com flores. As janelas deveriam ostentar cortinados. E todos os moradores do lugar, no raio de uma légua, eram obrigados a ir à procissão, sob pena de sanções.

No reinado de D.João V (1689-1750), época áurea do barroco brasileiro, o cortejo celebrou mais ainda essa demonstração de fé e poder. Hoje, no Brasil, essa solenização converge para o tapete, composto nas ruas pelas comunidades locais.

 

*Gilberto Galvão é criador da revista virtual pARATIANDo, dedicada ao patrimônio cultural da cidade, que traz em sua edição de junho uma ampla informação sobre a procissão do Corpus Christi.

A revista pARATIANDo é editada pela Associação Viva Paraty, entidade sem fins lucrativos destinada à preservação e à difusão desse patrimônio, com o apoio institucional da UFRJ, em convênio com o Cembra e em rede com o portal paraty.com, o jornal Folha do Litoral e a rádio Nova Onda FM.

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