Festa de S. Benedito e N. S. Rosário

São Benedito é padroeiro dos escravos e dos cozinheiros. Nasceu na Sicília, era filho de etíope e trabalhava na cozinha de um mosteiro. Realizou um milagre quando foi pego doando comida aos pobres. Para não ser castigado transformou o pão em flores.

A irmandade de S.B. e N.S. do Rosário existiu em Paraty desde o século 18. Por volta de 1.724 iniciou a construção da igreja localizada numa das principais ruas do bairro histórico. Conta-se que a irmandade formada por negros, mestiços e até brancos foi obrigada a construir a igreja também para N. S. do Rosário por não ser permitida pela cúpula católica a construção de uma igreja apenas para um santo negro.

Com a criação das dioceses, em meados do século 20, as irmandades foram extintas, ficando a responsabilidade das igrejas para a paróquia de Paraty. Muitos documentos das antigas irmandades são consultados ainda hoje por estudiosos e estão guardados na secretaria da paróquia da cidade, dentro da Igreja de S. Benedito ou Igreja do Rosário.

Em cada lugar do Brasil, a festa de S. Benedito acontece em uma época diferente. A data de comemoração da festa em Paraty foi mudada para meados de novembro em favor de maior comodidade para quem vinha da roça com seus escravos na época das festas de fim de ano. Um mês antes, o mastro com as imagens dos santos é levantado pelos festeiros ao lado da igreja que, junto com as ruas, recebe ornamentos e decoração em azul e branco ou amarelo e branco.

Durante todo o ano o festeiro ou uma comissão de festeiros angaria fundos para a festa vendendo doces, rifas, colocando barracas em outras festas, deixando cofres no comércio da cidade, carnes para pagamento da mensalidade e livro de ouro. As comemorações duram 10 dias, sendo nove de ladainha com procissão de bandeiras, banda e folia, culminando no último dia, sempre um domingo, quando rei e rainha negros – escolhidos pelos festeiros – são coroados. Acompanhados por uma ama e um pagem, são vestidos a caráter e carregam nas mãos coroa e cetro.

No domingo da festa há missa solene e distribuição de doces ou pão para o povo. De acordo com a folclorista Teresa Maia, este ato está ligado ao tempo em que “escravo só comia doce na festa de S. Benedito”. No trecho do guia cultural de Paraty que a autora editou em 2000*, ela descreve o domingo da festa: “À tarde realiza-se procissão, com os andores de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, comparecendo crianças vestidas de anjo e São Beneditinhos, em cumprimento de promessa. O Rei e a Rainha seguem dentro de um “quadro” `a moda dos imperadores do divino, acompanhados das associações religiosas, banda de música e povo devoto. Quermesse com leilão de prendas encerra a noite e os festejos.”

*Paraty para ti – Guia Cultural – Teresa e Tom Maia – Editora Stiliano – Lorena- SP – 2000.